Estudo pioneiro com CBD isolado em meninos autistas indica potencial terapêutico na socialização.

Um estudo conduzido recentemente pelo Centro de Pesquisa em Cannabis Medicinal da Universidade da Califórnia, em San Diego, trouxe novas perspectivas sobre o uso do canabidiol (CBD) como alternativa terapêutica em meninos com transtorno do espectro autista (TEA). O estudo é o primeiro do tipo com CBD isolado, placebo controlado para essa população específica.
O objetivo do estudo foi avaliar a eficácia, segurança e tolerabilidade do CBD isolado em meninos autistas com comportamentos de agressividade, hiperatividade e dificuldades de socialização. Para isso, os participantes foram submetidos a avaliações comportamentais antes e depois de cada fase do estudo. A quantificação plasmáticas de CBD também foi considerada.
O Desenho Experimental

30 meninos com idades entre 7 e 14 anos e com sintomas comportamentais intensos participaram do estudo. A pesquisa foi conduzida por um desenho cruzado e randomizado: metade dos participantes recebeu até 20 mg/kg/dia de CBD isolado (Epidiolex®) durante oito semanas e depois passou pelo tratamento placebo, enquanto a outra metade fez o caminho inverso. Foi adotado um período de janela terapêutica entre as duas fases (quatro semanas sem tratamento), para garantir a neutralização dos efeitos anteriores.

Principais achados
Segurança comprovada: O CBD foi bem tolerado por todos os participantes, sem efeitos colaterais graves. Isso é especialmente relevante em populações pediátricas e neurodivergentes, onde a segurança do tratamento é prioridade.
Melhora clínica observada em dois terços dos meninos: Apesar de não haver diferenças estatisticamente significativas nos escores globais de comportamento, os médicos observaram melhoras em cerca de 66% dos participantes que utilizaram CBD.
Redução de agressividade e hiperatividade: Esses foram os sintomas com maiores índices de melhora. Segundo os avaliadores, o alívio desses comportamentos representa um ganho importante para o bem-estar dos jovens e de seus cuidadores.
Avanços na comunicação: Cerca de 30% dos meninos também apresentaram progresso na comunicação — uma dimensão particularmente sensível no autismo, que afeta diretamente a integração social e a autonomia.
! Importante destacar: o feito placebo foi evidente no estudo. Tanto o grupo CBD quanto o grupo placebo apresentaram melhora durante o estudo, indicando um efeito placebo robusto. No entanto, os efeitos positivos foram mais consistentes e intensos no grupo que utilizou o canabidiol.
Reflexões para a prática clinica.
Embora os dados não confirmem uma eficácia universal do CBD, eles reforçam seu perfil de segurança e apontam para possíveis benefícios comportamentais em subgrupos de pacientes.
Referência: Trauner, D., Umlauf, A., Grelotti, D.J. et al. Cannabidiol (CBD) Treatment for Severe Problem Behaviors in Autistic Boys: A Randomized Clinical Trial. J Autism Dev Disord (2025). https://doi.org/10.1007/s10803-025-06884-y
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